Aproximadamente 63% do volume financeiro total dos IPOs do terceiro trimestre foram obtidos pelas empresas chinesas registradas no período. Empresas norte-americanas ocuparam a segunda posição com o valor total de $ 3,2 bilhões, ou 8,4% do capital global levantado. A terceira posição ficou com as empresas indianas, com um valor total de $2,6 bilhões, ou 7,2% do capital global levantado.
Embora a China e o resto da Ásia tenham crescido de maneira vertiginosa, a Europa manteve-se ainda estagnada. Entre os mercados mais importantes, não houve IPO para o período na Alemanha nem na Itália, somente um IPO na França e na Espanha e dois no Reino Unido. O valor total de recursos captados em toda a Europa foi de US$189,2 milhões, ou 0,5% do número global do terceiro trimestre.
Segundo Paulo Sergio Dortas, líder da área de IPO da Ernst & Young Brasil, foi um trimestre rememorável para o mercado de ofertas públicas iniciais na Ásia, especialmente para a China. Não apenas houve um retorno à atividade com uma série de registros significativos na bolsa, mas também é notável o fato de que, enquanto no início da década as empresas consideravam o registro na bolsa apenas em países desenvolvidos, hoje, não há dúvidas sobre a capacidade dos países BRICs em receberem IPOs de grande escala.
Apesar de ter tido apenas um IPO no período, a Bovespa se classifica entre as dez bolsas que obtiveram maior levantamento de capital no período, com US$ 320 milhões (0,9% do capital global), obtido com a abertura de capital da Tivit. “Aqui no Brasil, a expectativa é que o reaquecimento da economia traga aberturas de capital em menor quantidade, mas mais qualificadas”, explica Dortas. “Com a boa resposta do País à crise, a expectativa é que as empresas que se preparavam para abrir capital antes do agravamento do cenário internacional voltem à Bovespa ainda mais preparadas, em virtude dos ajustes internos que o período demandou.”
Nova ordem? - Embora os níveis de IPO no terceiro trimestre tenham sido semelhantes (em valores) com o mesmo trimestre em 2005 e 2006, o contraste entre o mercado europeu e o asiático é notável. No terceiro trimestre de 2005, mais de 31% do valor total de registros partiram de empresas europeias, 15% de empresas domiciliadas na Ásia e 28% dos EUA. “Apesar de termos visto, há cinco anos, a globalização dos mercados de capitais, com empresas, investidores e bolsas voltando o olhar para o mundo em busca de oportunidades de crescimento, o ritmo das mudanças realmente se acelerou com a recessão, assim como a velocidade relativa com que as economias chinesa e indiana se recuperaram da depressão”, explica Dortas.
No quarto trimestre, a expectativa é de mais um forte trimestre para o mercado de IPOs na Ásia, a ausência de uma recuperação mais rápida na Europa, que deve retomar atividades em 2010, e uma melhora cautelosa dos IPO nos EUA. No Brasil a expectativa é que Bovespa registre no quarto trimestre o maior IPO de sua história e provavelmente um dos maiores do mundo desde a oferta da VisaNet, podendo levantar cerca de R$ 16 bilhões com o IPO previsto do banco Santander.
1 comentários:
Brilhante reportagem, isso mostra que o Capitalismo ressurge trazendo esperança de uma economia mundial melhor, pelo menos para algumas pessoas!
Ricardo Santos.Brasília.
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